Exposição Memorar, de Márcio Henrique Martins

MEMORAR : Trazer à memória

Três moças brincam de fotógrafas lambe-lambe diante da entrada principal do Centro Integrado Cultura; um grupo de senhoras assiste a uma sessão de cinema no MIS; alguns jovens exercitam uma nova experiência em torno de uma câmera cinematográfica. As cenas, captadas pelo fotógrafo Márcio Henrique Martins, registram imagens de acontecimentos e projetos desenvolvidos pela Fundação Catarinense de Cultura.


O tom é jornalístico, mas o fotógrafo captura as cenas como um memorialista onipresente, que adota a invisibilidade para imprimir um caráter de autenticidade às imagens. A não ser quando é surpreendido em alguns momentos raros. Durante uma visita de alunos curiosos à exposição "O Mundo Mágico do Circo", no MIS, um dos garotos olha para trás e enxerga o homem atrás da câmera, estabelecendo outro eixo de equilíbrio, ou desequilíbrio, para a foto.


As 18 fotografias reunidas na exposição foram capturadas durante os eventos da FCC para o acervo do Núcleo de Documentação Audiovisual e do MIS, mas há também experiências de fotos solicitadas especialmente pelo fotógrafo, como o registro de três artistas, em 1992, onde aparece o lageano Jayro Schmidt, e os florianopolitanos Pedro Paulo Vecchietti e Sérgio Bonson, que posam abraçados diante de folhas de bananeira no jardim das Oficinas de Arte.


A paisagem fotográfica selecionada por Márcio em seus arquivos ainda celebra outras passagens memoráveis, como a apresentação musical no Teatro Álvaro do Carvalho de Joel Brito no projeto Seis e Meia, em 1994, ou de um recorte mais recente, com Luís Melodia e Elza Soares cantando no Teatro Ademir Rosa no lançamento do CD "A Bossa Sempre Nova de Luiz Henrique", em 2003.


As imagens atravessam duas décadas e incluem outros momentos do cotidiano do CIC, como a retenção do movimento dos bailarinos no espetáculo da Cia de Dança Deborah Colker; ou a bailarina solitária que educa o corpo numa aula de balé; ou a mulher revestida de argila que se levanta de uma caixa de barro durante o Congresso Latino Americano de Cerâmica.


A coleção vai além do registro histórico e constrói uma experiência de diversidade, um conjunto de relatos particulares. O exercício confirma como o processo cultural é capaz de provocar a indagação em uma sociedade que procura narrar a sua própria aventura, com esmero, apuro e elegância.

Fifo Lima

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